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Quantas vezes você já precisou “engolir sapos” na sua relação? Quantas vezes falou o que não queria, ouviu o que não esperava, se arrependeu depois e não soube como voltar atrás? Quantas vezes deixou de dizer o que sentia,

porque esperava que a pessoa adivinhasse o que você queria? Sim, muitas vezes. Isso porque estamos condicionados a reagir diante de situações como essa de maneira automática, o que nos leva, muitas vezes, a reações violentas.

violência não precisa ser física para ser considerada violência. Ela também pode ser emocional e psicológica, e se manifesta em situações cotidianas na forma de diálogos, expressões corporais e até mesmo no silêncio.

E se pudéssemos compreender a real necessidade do outro, sem desencadear situações que trazem desgaste, tristeza e levam a ainda mais violência? Se pudéssemos enxergar através das palavras o real sentimento que motivou a atitude de alguém? Tudo isso é possível com a prática Comunicação Não-Violenta (CNV), metodologia que estabelece o constante exercício de empatia, compreensão, compaixão e respeito mútuo. E já que estamos no mês do amor, queremos trazer para você essa ferramenta capaz de transformar o modo como você se relaciona com os outros e consigo. Se seu amor já é bom, ele está prestes a ficar melhor ainda! Vem! <3

O que é a Comunicação Não-Violenta?

É uma metodologia criada pelo psicólogo americano Marshall Rosengerb (1934 – 2015), que consiste na ideia de que toda informação compartilhada traz necessidades profundas e comuns, ou seja, partilhadas por todos. A CNV busca a compreensão e a empatia pela necessidade do outro, que muitas vezes está escondida no meio de palavras acusatórias e violentas, e a satisfação possa ser conciliada da melhor maneira possível.

Como aplicar?

Segundo os princípios da CNV, você pode desenvolver uma comunicação não-violenta seguindo quatro passos:

Observações: normalmente, reagimos automaticamente às situações. Na CNV, antes de mais nada, você observa a situação sem julgamentos ou avaliações. Respire fundo e perceba o que realmente não agradou, mas analisando a questão em si, e não a pessoa envolvida.

Sentimentos: permita-se sentir o que pode estar de desagradando em determinada situação. Depois disso, expresse com sinceridade aquilo que desagrada ou afeta. Procure usar a expressão “Eu me sinto dessa maneira quando…” e evite “Você faz eu me sentir…”. Isso porque a CNV também considera que cada um é responsável pelo que sente, uma vez que nossos sentimentos são gerados por necessidades unicamente nossas.

Necessidades: após a identificação do sentimento, fica bem mais fácil entender qual a real necessidade escondida na situação. Todos nós temos necessidades, valores, desejos e são eles que dão base para tudo o que sentimos. É importante que você comunique, de forma aberta e clara, sua necessidade. “Eu tenho necessidade de…”, “Eu aprecio tal e tal coisas…”.


Fale o que você realmente sente. Não podemos esperar que o outro adivinhe 😉

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Pedido: chegou o momento final da troca, onde você pode, de maneira mais clara e assertiva, fazer um pedido. Sem imposições, observe o que de fato faria a diferença na situação. Lembre de usar expressões de solicitação, e não de imposição. “Você se importaria de…”, “Eu gostaria que…”, “Você concordaria em…” são ótimas maneiras de dar seu último passo na CNV.

O outro lado

Da mesma maneira que você vai expressar seus sentimentos, é imprescindível que você trabalhe sua capacidade de ouvir. É possível que o interlocutor não conheça a CNV, então exercite seu ouvido para compreender e estimular a pessoa a entender suas necessidades, seus sentimentos e seu pedido. “Você se sente….?”, “Você precisa de…”, “Você está me pedindo para…?” são excelentes formas de incentivar a prática da CNV, sem necessariamente estar ensinando o método.

CNV na prática

Agora que você já sabe como funciona a CNV, podemos demonstrar como ela se aplica na prática e como podemos tornar nossos dias mais suaves quando estimulamos uma conversa empática, compassiva e respeitosa.

Situação 1: “Você sempre deixa a toalha em cima da cama!”, diz a namorada, irritada.

Situação 2: “Você nunca me conta o que está acontecendo”, reclama a esposa, enquanto o marido responde, bravo: “E você, que está sempre no celular?”.

Vamos ver como ficaria isso na linguagem não-violenta? Na situação 1, a namorada pode dizer: “Amor, imagino que você esteja cansado, mas me sinto irritada quando você deixa a toalha em cima da cama e você fez isso hoje e ontem. Será que você poderia pendurá-la no varal?”. Muito melhor, não é?

situação 2 poderia ser assim: “Querido, me sinto triste quando não sei o que está acontecendo com você e há uma semana não conversamos. Quem sabe você compartilhar comigo o que está acontecendo, pode ser?”. O marido responde: “Meu bem, quando falei com você ontem, você estava no celular. Fiquei irritado, então você poderia olhar nos meus olhos enquanto a gente conversa?”

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De acordo com a CNV, quando expressamos o que sentimos, nos vemos cada vez mais distantes dos habituais conflitos, uma vez que temos mais claridade da necessidade do outro, sem julgar, sem comparar e sem esperar que o outro adivinhe o que queremos. Ouvir é essencial nesse processo, pois é por meio da escuta livre de preconceitos que conseguimos entender o que a pessoa realmente quer nos dizer.

Este workshop com o Dr. Marshall Rosenberg é a melhor escolha para quem quer aprofundar os conhecimentos na CNV. Pega a pipoca e vem!