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LGBT: o que você precisa saber para não reproduzir preconceito

28 de junho de 2018 0

Para não ter preconceito

Em 2016, a cada 25 horas, uma pessoa foi assassinada pelo simples fato de ser quem é. As vítimas não estavam envolvidas em acidentes de trânsito ou tráfico de drogas. As vítimas não cometeram nenhum delito ou ameaça que levaram seu(s) assassino(s) a agir em legítima defesa. Não.

As vítimas morreram porque faziam parte de uma minoria, da população LGBT. Elas foram mortas pela intolerância, pelo preconceito, pela homofobia, pela falta de empatia, pelo ódio. Elas não tiveram escolha. Seus assassinos, sim. O ano passado foi o ano mais violento na história da comunidade LGBTI desde 1970, com 343 mortes registradas.

É uma realidade chocante e dolorosa, mas que precisa ser dita. No entanto, o objetivo deste texto não é apontar os culpados, e sim, trazer conteúdos acerca da identidade de gênero, definições, conceitos e termos que podem ajudar você a compreender melhor o tema. Assim, tendo consciência do assunto, evitamos a perpetuação do preconceito, da discriminação, da exclusão e, principalmente, da violência brutal que mata a população LGBT.

#OrgulhoGay

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O mês de junho é de muito significado para o movimento, visto que faz referência ao Dia Internacional do Orgulho Gay, comemorado em 28 de junho. A data é uma homenagem  à revolta de Stonewall, que ocorreu em Nova York, no mesmo dia, em 1969, quando um grupo de gays se rebelou contra a violência policial sofrida pelos homossexuais.

Desde então, o mês de junho é marcado por movimentos de reivindicação por cidadania e direitos na luta contra a homofobia todos os anos, em todo o mundo.

Orientação x Opção

Eis uma das dúvidas primárias a serem esclarecidas, mas a gente explica de primeira. É preciso deixar claro que não existe “opção sexual”. Ser gay não é uma escolha, visto que a identidade sexual começa a ser desenhada na infância, muito antes dela ter consciência da sua opção. Portanto, o mais adequado é “orientação sexual”, ok!?

Como assim “identidade de gênero”?

Para compreender as nomenclaturas, termos e siglas, é importante que você saiba disso. A identidade de gênero, bem como o próprio nome diz, se refere ao gênero com o qual a pessoa se identifica, independentemente do sexo biológico. Quando a pessoa não se identifica com o gênero atribuído no nascimento, ela pode modificar sua aparência física com intervenções cirúrgicas ou apenas nas expressões, como modo de vestir, jeito de falar e outras particularidades.

Adeus, GLS!

Isso mesmo! Essa sigla é coisa do passado. Era comumente usada para denominar Gays, Lésbicas e Simpatizantes. Deixamos de utilizar essa sigla porque ela acaba por excluir as outras formas de sexualidade e identidade de gênero, fazendo alusão apenas à orientação sexual homossexual. Atualmente, utiliza-se LGBT ou LGBTI, siglas que abrangem também bissexuais, travestis, transexuais (o I refere-se à intersexuais, que podem se identificar como homem, mulher ou com nenhum dos dois). No Facebook, por exemplo, o  indivíduo pode escolher entre 56 opções de gênero, mas hoje falaremos das mais utilizadas. (Quem sabe em um próximo post explicamos as demais?!)

Mais de 3 milhões foram à Avenida Paulista na última Parada LGBT, dia 18 de junho. Crédito: Divulgação

Sigla LGBT: vamos entender?

Parece confuso, mas não é. No Brasil, movimentos sociais e entidades governamentais costumam usar a sigla LGBT. Vamos ver o que cada letra significa:

L: de Lésbica, como uma forma de evidenciar a diferença entre homossexuais masculinos e femininas. Lésbica é a mulher que se relaciona afetiva e/ou sexualmente com outra mulher.

G: de Gay, homem que se relaciona afetiva e/ou sexualmente com outros homens. Curiosidade: em alguns países, assumir-se “gay” traz uma postura política, sendo assim importante diferenciar do homossexual.

B: de Bissexual, é a pessoa que se relaciona com pessoas de qualquer gênero, sexual e/ou afetivamente.

T: T* ou TTT, são as pessoas que se identificam com um gênero diferente do que lhes foi atribuído no nascimento. Homens trans, por exemplo, são aqueles que se apresentam com as características sociais e culturais do gênero masculino. Já, as mulheres trans, são aquelas que se apresentam socialmente com as características biológicas femininas. Já vamos ver melhor as variações desta nomenclatura.

T, T* ou TTTs são usados para fazer referência tanto a travestis quanto para pessoas transexuais. Ah: estas duas nomenclaturas não são sinônimas, viu?!

Travesti: é a pessoa que assumem características físicas, sociais e culturais de gêneros diferentes do sexo atribuído no nascimento. Ao contrário do que muitos pensam, não significa a negação da genitália, mesmo que tenham colocado silicone, feito uso de hormônios, etc. Por muito tempo, a questão da redesignação sexual (“troca de sexo”) serviu como um fator de diferenciação entre transexuais e travestis. No entanto, essa questão é bastante pessoal e pode levar em conta questões diferentes e íntimas e não cabe a ninguém perguntar, a menos que a pessoa esteja disposta e queira. Importante: o correto é A travesti, e não O travesti.

Curiosidade: é importante que não usemos expressões comuns como “nasceu homem” ou “nasceu mulher”. Mesmo que possam facilitar a compreensão, esses termos levam a outras questões que discutem “o que é ser homem/mulher”, visto que o gênero é uma construção social. Para simplificar: homem trans é o que se reconhece e se constrói como homem; mulher trans é aquela que se reconhece e se constrói como mulher.

Muito cuidado: recomendamos que você não pergunte o nome “de nascimento” da pessoa, a menos que ela comunique a informação livremente.

 

Respeito e reconhecimento

Em 2016, 343 pessoas morreram vítimas do preconceito e da intolerância. No mesmo ano, a população LGBT brasileira conquistou uma grande vitória: o direito ao nome social no serviço público federal. Trata-se de um decreto que autoriza lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais a usarem o nome pelo qual querem ser chamadas em órgãos públicos federais, como universidades e ministérios.

Sentimos muito que tantas pessoas tenham que morrer para que algo tão simples seja respeitado. A Inbeauty Brasil acredita e defende todas as formas de amor e de expressão. Repudiamos a violência contra qualquer forma de vida e desejamos que este texto possa contribuir de alguma forma com essa bandeira. Porque a causa vai muito além de cores e purpurinas: é uma luta por cidadania, direitos sociais e, principalmente, por respeito.

Gostou? Então, compartilhe com seus amigos nas redes sociais! Ficou com alguma dúvida, escreva para a gente: comunicacao@www.inbeautybrasil.com.br. 🙂

 

Este texto foi construído com a ajuda do Glossário LGBT. Confira para saber mais sobre gênero e sexualidade.

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